12 de janeiro de 2009

UNICEF alerta para Acidentes Ocorridos com Crianças



No passado dia 10 de Dezembro de 2008 a UNICEF emitiu um Comunicado de Imprensa alertando para os acidentes ocorridos com crianças.

A X-Ray, pioneira no desenvolvimento de
Cursos de Primeiros Socorros Pediátricos, tem prevista para dia 21 de Março o início de mais uma edição do curso.

Para que possa reflectir acerca do tema, transcreve-mos o Comunicado de Imprensa da UNICEF.



"MAIS DE 2000 CRIANÇAS MORREM POR DIA NA SEQUÊNCIA DE ACIDENTES E PELO MENOS METADE PODERIA SER SALVA"


"Genebra/Hanói/Nova Iorque – Mais de 2000 crianças morrem por dia na sequência de traumatismos e lesões não-intencionais ou acidentais e anualmente dezenas de milhares de outras são hospitalizadas por acidentes que as deixam frequentemente deficientes para o resto da vida, segundo um novo relatório tornado público pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela UNICEF.

O Relatório sobre a prevenção de traumatismos, lesões e ferimentos na criança apresenta o primeiro balanço mundial dos traumatismos involuntários que afectam as crianças e prescreve medidas preventivas, concluindo que se houvesse uma adopção generalizada de medidas de prevenção, a vida de pelo menos 1000 crianças por ano poderia ser poupada.

“Os traumatismos e lesões das crianças constituem um importante problema de saúde pública e de desenvolvimento. Para além das 830 000 mortes anuais, milhões de crianças sofrem acidentes não fatais que muitas vezes implicam uma longa hospitalização e também uma reabilitação demorada," declarou a Drª Margaret Chan, Directora-Geral da OMS. "Os custos de tais tratamentos podem mergulhar uma família inteira na pobreza. É nas famílias e nas comunidades mais pobres que o risco de acidente é maior para as crianças, pois elas têm menos oportunidades de beneficiar de programas de prevenção e de serviços de saúde de qualidade."

“Este relatório é fruto da colaboração de mais de 180 especialistas de todas as regiões do mundo,” sublinhou a Directora Executiva da UNICEF, Ann M. Veneman. “Ele revela que os traumatismos, lesões e ferimentos constituem a principal causa de morte de crianças após os nove anos de idade e que 95% desses acidentes acontecem nos países em desenvolvimento. É preciso fazer muito mais para proteger as crianças.”

A África tem a taxa mais elevada de mortes na sequência de traumatismos e lesões não-intencionais. O relatório revela que essa taxa é dez vezes mais elevada em África do que nos países de alto rendimento da Europa e do Pacífico ocidental tais como a Austrália, a Nova Zelândia, os Países Baixos, o Reino
Unido e a Suécia, onde as taxas de traumatismos e lesões das crianças são mais baixas.

Contudo o relatório indica que, embora muitos países de rendimento elevado tenham reduzido em perto de 50% o número de mortes de crianças na sequência de traumatismos e lesões ao longo dos últimos 30 anos, o problema subsiste nesses países, onde os traumatismos e as lesões são responsáveis por 40% de todas as mortes de crianças.

Segundo o relatório, as cinco principais causas de morte por traumatismos e lesões são:

1. Acidentes rodoviários: matam 260 000 crianças por ano e causam ferimentos em cerca de dez milhões de crianças. Constituem a principal causa de morte entre as crianças dos dez aos 19 anos e uma das principais causas de deficiência infantil.

2. Afogamentos: matam mais de 175 000 crianças por ano. Anualmente, quase três milhões de crianças sobrevivem a um afogamento. Devido aos danos cerebrais que este pode provocar em alguns sobreviventes, os afogamentos não-fatais deixam as sequelas mais duradoiras e têm o maior impacto económico de todos os tipos de acidente.

3. Queimaduras: as queimaduras devidas ao fogo matam quase 96 000 crianças por ano e a taxa de morte é onze vezes superior nos países de rendimento baixo e intermédio do que nos países de rendimento elevado.

4. Quedas: quase 47 000 crianças por ano são vítimas de quedas fatais, mas centenas de milhares de outras sofrem traumatismos e lesões menos graves na sequência de uma queda.

5. Intoxicações: mais de 45 000 crianças morrem por ano na sequência de intoxicações acidentais.

“As melhorias são possíveis em todos os países,” garante o Dr. Etienne Krug, Director do Departamento de prevenção da violência e dos acidentes e da deficiência, da OMS. “Quando uma criança fica desfigurada por uma queimadura, paralisada na sequência de uma queda, com uma deficiência ao nível cerebral por ter escapado a um afogamento ou traumatizada por um acidente grave desse tipo, as repercussões podem fazer-se sentir durante toda a sua vida. Estas tragédias são evitáveis. Nós sabemos bem o que é que resulta: uma série de programas de prevenção bem conhecidos deveriam ser postos em prática em todos os países.”

O relatório realça ainda o impacte que as medidas preventivas de eficácia demonstrada podem ter.

Trata-se nomeadamente de leis relativas aos cintos de segurança e aos capacetes adaptados às crianças; à regulação da temperatura das torneiras de água quente; aos dispositivos de fecho de segurança dos frascos de medicamentos; aos isqueiros e recipientes de produtos domésticos de limpeza; às vias de circulação separadas para os motociclos e as bicicletas; ao escoamento do excesso de água das banheiras e dos baldes; à reformulação do desenho do mobiliário, dos brinquedos e dos parques infantis, bem como ao reforço dos serviços de cuidados médicos de urgência e reabilitação.

São enumeradas também no relatório as medidas a evitar ou aquelas que ainda não podem ser recomendadas por falta de provas dadas. A título de exemplo, conclui-se ainda que as embalagens de comprimidos podem não ser suficientemente resistentes às crianças; que os airbags dos assentos dianteiros de um carro podem ser perigosos para as crianças com menos de 13 anos, que a manteiga, o açúcar, o óleo e outros remédios tradicionais não devem ser utilizados para tratar as queimaduras e que as campanhas públicas de educação não bastam para reduzir o número de afogamentos."

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O Relatório sobre a prevenção dos traumatismos na criança e todos os documentos conexos estão acessíveis no seguinte sítio: http://www.who.int/violence_injury_prevention/child/injury/world_report/en/

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